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27-02-2019

Hospitalização Domiciliária na ULSCB

A secretária de estado da saúde, Raquel Duarte, reuniu com os Conselhos de Administração dos hospitais da região centro no dia 22 de Fevereiro,

em Coimbra e chamou a atenção para a contratualização da carteira de serviços, acordada entre o Ministério da Saúde para 2019, com os hospitais portugueses do SNS que define as características das Unidades de Hospitalização Domiciliária e plasma uma premissa básica: um doente com cuidados de saúde no seu domicílio nunca poderá estar numa situação de inferioridade assistencial quando comparado com um doente com características similares, internado num serviço do hospital.

A  ULS de Castelo Branco através da equipa de profissionais do Serviço de Medicina Interna do Hospital Amato Lusitano, abrirá 8 camas de Hospitalização Domiciliária.

A Hospitalização Domiciliária surgiu como uma alternativa ao internamento hospitalar em meados do século XX que com a evolução das sociedades modernas e a vertiginosa digitalização dos processos de saúde colocam-na como o eixo central da prestação de cuidados especializados do presente e do futuro. Para além da diminuição do consumo de recursos, o doente exige cada vez mais estar informado e ser participativo no seu próprio tratamento, aspetos intrínsecos a este modelo de assistência, assim como poder afrontar a sua doença ou recuperação na comodidade do seu lar.

O Sistema Nacional de Saúde português é considerado um dos melhores do mundo. Os seus resultados são excelentes em muitos campos e a satisfação dos doentes é alta, mas enfrenta importantes desafios a médio e longo prazo que poderão comprometer seriamente a sua sustentabilidade. Nos últimos anos as dificuldades económicas evidenciaram algumas das suas debilidades, como a falta de recursos, tanto materiais como humanos, para atender uma população cada vez mais envelhecida e, por isso, com mais doenças crónicas.

Num contexto como este, o modelo assistencial da Hospitalização Domiciliária (HD) tem muito a oferecer ao Sistema Nacional de Saúde português, que em vários países desenvolvidos demonstrou ser eficaz, libertar recursos hospitalares e, o mais importante, poder atender os doentes no seu domicílio com as mesmas garantias de qualidade e segurança do hospital, mas na comodidade e intimidade da sua própria casa.

O que é a Hospitalização Domiciliária?

A hospitalização domiciliária é um modelo assistencial em que se disponibilizam cuidados de saúde especializados no domicílio dos doentes. Formalmente, define-se como um modelo de prestação de cuidados de saúde, capaz de disponibilizar um conjunto de cuidados médicos e de enfermagem de nível hospitalar (proporcionados por profissionais de saúde e recursos do próprio hospital), tanto em qualidade como em quantidade, aos doentes no seu domicílio, quando não precisam da infra-estrutura hospitalar mas ainda necessitam de vigilância ativa e assistência complexa.

Quem pode solicitar a Hospitalização Domiciliária?

O modelo proposto para a Hospitalização Domiciliária da ULS de Castelo Branco através do Serviço de Medicina Interna, é um modelo misto, assente em transferências precoces das enfermarias médicas ou cirúrgicas, do Serviço de Urgência e da comunidade, através de protocolos a realizar com as unidades funcionais dos Cuidados de Saúde Primários ou sector social, após avaliação da equipa da Unidade de Hospitalização, que verifica se o doente cumpre os requisitos de internamento na UHD, nomeadamente a voluntariedade do doente e do seu cuidador, critérios clínicos, sociais e geográficos.

Quanto à tipologia dos doentes atendidos na UHD, estes profissionais de saúde tratam de doenças agudas como infeções, tromboses venosas, doenças crónicas descompensadas ou desenvolvem ações paliativas.

Quais as vantagens da Hospitalização Domiciliária?

  • Maior comodidade para o doente, que recebe cuidados de saúde no seu domicílio.
  • Maior envolvimento do doente, que se sente menos doente, no seu domicílio e no seu ambiente. Isto faz com que a comunicação entre a pessoa cuidada, os seus familiares e os profissionais de saúde seja mais eficaz, o que facilita uma maior implicação na gestão da doença.
  • Sintonia com as tendências da prestação de cuidados de saúde originadas pela digitalização dos processos de saúde: teleconsultas, telemonitorização, sem necessidade de recorrer às instituições de saúde; personalização dos cuidados de saúde mais intensa; participação ativa do doente no seu tratamento.
  • Libertação de recursos hospitalares. Diminuição dos custos por doente, uma vez que apenas se consomem recursos de saúde e de deslocação, sem necessidade de manutenção alimentar e outros cuidados hoteleiros, nem dotação de camas.
  • Qualidade assistencial: os profissionais da Hospitalização Domiciliária são especialistas e prestam cuidados com as mesmas garantias de segurança dos restantes serviços de saúde.
  •  Assegura a continuidade assistencial.
  • Menor incidência de infecções hospitalares, diminuindo também o desenvolvimento dos quadros confusionais agudos logo, a necessidade de medicação neuroléptica nos doentes idosos e frágeis.

Quando, onde e porque que é que surgiu a Hospitalização Domiciliária?

A Hospitalização Domiciliária surgiu nos Estados Unidos, em meados do século XX. Em 1947 o Hospital Universitário Guido Montefiore de Nova Iorque, implementou este modelo assistencial perante a sobrelotação dos seus serviços de internamento. O objetivo era duplo: dispor de mais camas e proporcionar aos doentes a possibilidade de recuperar no seu ambiente familiar.

Esta ideia inovadora foi trazida, alguns anos mais tarde, em 1951, para o Hospital Tenon de Paris. No entanto, com exceção da França, o modelo assistencial da Hospitalização Domiciliária tardou a desenvolver-se nos países do velho continente. À França, seguiu-se o Reino Unido em 1965, Alemanha e Suécia nos anos setenta, Espanha e Itália nos anos oitenta e, à cerca de três anos, em Portugal, no Hospital Garcia da Orta, Almada e, agora a tentativa de alargar a todos os hospitais do SNS português.


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